__________________________________________________________________________________________________
Li no livro
Ali, nas leves páginas do divo
A inquietação do alívio
O máximo divino
A letra livre do destino
Reli, no livro
O relicário fino
A joia em pêndulo vadio
A plenitude suspeita das certezas
Em reconfiguração do crivo
Tudo isso impresso, ácido, bonito
Dentro de um infinito chamado livro
Autor: Bob Villela | UNIVALE Editora
__________________________________________________________________________________________________
Se vou
quando vou
o que fica?
se estou
como estaria?
penso em ir
reconstruir
o que restou
em mim
Autor: Gabriel Ventura | UNIVALE Editora
__________________________________________________________________________________________________
Você sorriu pra mim
Mais uma vez
Última vez
E eu tão tolo
Não sabia
Que te perdia
Assim tão veloz
Agora fico aqui
Tento te encontrar
Mas sou céu da manhã
E tu és lua
Lua Clara
Bela, iluminada
Tento tocar serenata
Pra te conquistar
Então, em meio a esse pranto
Canto um canto
Pra você
Tão perto
Tão longe
Até você
Eu que fico
Canto tão só
Busco te encontrar
Lua Clara
Queria que fosse
Lua da Tarde
Da Manhã
Do Amanhã
Pra toda eternidade
Autor: Gabriel Lorentz | UNIVALE Editora
__________________________________________________________________________________________________
Apenas uma moça latino-americana
Quem dera ainda fôssemos os mesmos
Dos romances astrais, das praias musicais
Das letras de Belchior nada banais
Quisera para o sertão voltar
Lá o sonho consegue prosperar
Nunca mais seremos aqueles
Agora nem mais estímulo há
Para encontrar aquela gente bacana
Irmanada, contente, latino-americana
Abraço farto na praia de Copacabana
De ternura e sentimento pouco se fala
Tampouco de compaixão e justiça
De amor, nem mesmo analistas entendem
Embora, quem sabe, oxalá como nossos pais
Nesta sombra de agora, haja coração pulsando
Onde nasce o sol e ainda uma roupa velha
Colorida em qualquer tom
Ou alguma camisa suja de batom
E nos alpendres dos rincões
Braços fartos acolham
Como nos folhetins sem vilões
Uma rede branca possa talvez
Conservar cálido o gostinho
De mato verde pra plantar
E com flores depois enfeitar
A janela de uma casinha branca
Varanda feito ninho no colo da serra
Pés descalços na terra, regozijo de viver
Ecoando longe da guerra
Plantar liberdade, reviver auroras
Reflorestar a divina comédia humana
Deletar as ilhas cheias de distância
Celebrar galos, noites e quintais
Reverberar canções nos almoços da sala
Tristes ou vibrantes como potes de cristais
Jamais sem emoção, cativando romances
Embriagados com mania de paixão.
Autor: Aurora Miranda Leão | UNIVALE Editora